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Lagos e Marrocos, possível amizade?

Lagos prepara-se para estreitar relações de amizade com o município marroquino de El Jadida

Foi aprovada na última Reunião de Câmara, a proposta de celebração de um Acordo de Geminação entre o Município de Lagos e o Município de El Jadida (Reino Marrocos).

Nota de Imprensa

28 Novembro 2018 | Publicado : 16:43 (28/11/2018) | Actualizado: 16:44 (28/11/2018)

A intenção de colocar em rede as duas muralhas “irmãs” - significativos exemplares da arquitetura militar dos primórdios da pirobalística com o traço de Miguel de Arruda, que foi projetista da muralha de Lagos e coordenador do projeto da Cidadela Portuguesa de Mazagão (atual El Jadida) - é um dos motivos desta aproximação institucional.

Esta decisão surge depois da recente geminação com o município marroquino de Ksar El Kébir (Alcácer Quibir) e concretiza a “Política de Acordos de Cooperação e Geminações” traçada pelo Município de Lagos, que, neste caso concreto, tem como objetivo a internacionalização e promoção das Muralhas de Lagos, no âmbito da criação da Rede de Fortificações da Fronteira Marítima, estrutura que se pretende desenvolver com base nas parcerias que Lagos tem na esfera dos Descobrimentos Portugueses.

A este respeito merece recordar que a Câmara Municipal de Lagos está a desenvolver um Plano Geral de Intervenção (PGI) que contempla medidas de reabilitação, gestão e promoção das muralhas de Lagos. Definidos estão já quatro projetos distintos, mas complementares e de implementação sequencial: o Estudo do Cadastro; o Projeto de Reabilitação; o Projeto de Iluminação de Valorização; e o Projeto de Sinalética. Paralelamente será desenvolvido um Plano de Promoção, instrumento estratégico e integrado que tem como objetivo garantir uma coordenação entre as ações de reabilitação, salvaguarda e valorização, com ações de gestão e de promoção do imóvel, esta última entendida como a sua divulgação, estudo, colocação em redes de conhecimento, circuitos turísticos ou geminações.

Esta Geminação irá dar seguimento e novo alento aos contactos e às ações de cooperação já existentes, pois ainda recentemente Lagos participou numa conferência e organizou uma ação de formação para jovens guias intérpretes da Cidadela Portuguesa de Mazagão.

A iniciativa foi felicitada por Maria Rita Ferro, Embaixadora de Portugal em Marrocos, que, em mensagem dirigida à autarquia lacobrigense, considerou de “relevante interesse, no quadro das relações de Portugal com Marrocos, tanto na sua vertente cultural como económica e social, o projeto de assinatura do Protocolo de Geminação que oficialize e dinamize o relacionamento entre as duas cidades já unidas pela História comum, e lhes permita ir mais longe em ações concretas que sejam úteis para ambos os lados e traduzam, junto das respetivas populações, o bom relacionamento bilateral que existe atualmente entre os dois Países e os respetivos responsáveis.”

Depois da aprovação em Reunião de Câmara o assunto seguiu para apreciação do órgão deliberativo do Município, estando agendado para discussão na 3.ª reunião da Sessão Ordinária de Novembro da Assembleia Municipal de Lagos que acontecerá hoje.

Informação complementar:
Lagos foi a sede dos Descobrimentos e da Expansão Portuguesa em África iniciada em Marrocos e de onde partiram as caravelas e exércitos que ocuparam diversas cidades na costa marroquina.

A cidade portuguesa de Mazagão, actual El Jadida, localiza-se em Marrocos, na costa ocidental africana, a sul de Casablanca. Foi fundada pelos portugueses nos inícios do século XVI como entreposto comercial e militar na rota marítima para a Índia. A Cidadela Portuguesa de Mazagão é o exemplo mais significativo dos vestígios portugueses em Marrocos, como fortificação e como estrutura urbana planeada.

A cidade manteve-se na posse da coroa até 1769, data em que foi conquistada em definitivo pelos marroquinos.

A presença portuguesa em Mazagão durou assim 255 anos, período durante o qual se estabeleceram laços culturais e influências mútuas que foram além da simples ocupação militar do território.

Após a retirada portuguesa, a cidade esteve cinquenta anos abandonada o que lhe valeu a designação de al-Mahdouma (a arruinada). Já no século XIX, o sultão Moulay Abderrahmane reabilitou a cidade que passou a chamar-se El Jadida (a Nova).

Mazagão, inserida no perímetro urbano de El Jadida, apresenta ainda hoje diversos testemunhos da presença portuguesa: o primitivo castelo, a fortaleza, a cisterna e as igrejas de Nossa Senhora da Assunção, da Piedade e de Nossa Senhora da Luz.

Em 2004 a cidade de Mazagão foi classificada pela Unesco como Património Mundial, constituindo um importante exemplo do intercâmbio das culturas europeia e marroquina

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