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Preparação para a Maternidade e Parentalidade

Desde 2012 que estes cursos preparam os futuros pais

20 Abril 2017 | Fuente: ARS Algarve

O nascimento de um filho exige uma adaptação na vida familiar e desafios para os futuros pais. É essencial que estes se sintam preparados para a nova etapa das suas vidas e, para isso, os cursos de preparação para o nascimento e parentalidade afirmam-se como uma ajuda preciosa, esclarecendo dúvidas e desenvolvendo as aprendizagens do casal.

Para Olga Santos, a enfermeira responsável pelo projeto de “Preparação para o Nascimento e Parentalidade” na Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC) de Faro – e também na de Olhão -, estas iniciativas são «bastante importantes porque são sempre um complemento a todos os outros cuidados de saúde que são prestados aqui, a nível das unidades. Nestas sessões com grupos de grávidas – mas também nas sessões no pós-parto – nós vamos trabalhando temas específicos que consideramos que vão aumentar as competências parentais das grávidas e dos casais [….] aqui elas têm uma oportunidade de debaterem ideias, tirar dúvidas, até fazem uma partilha de saberes e de experiências umas com as outras, portanto é uma vertente um pouco diferente e complementar».

A elevada procura destes cursos no concelho de Faro tem sido um dos principais desafios da coordenação por forma a garantir a capacidade de resposta para a procura que os cursos têm, uma vez que a limitação do espaço físico circunscreve a participação de 12 a 15 casais, devido ao tamanho do ginásio onde as sessões se realizam. Para que seja dada uma resposta justa ao elevado número de inscrições aplicam-se os critérios de prioridade: “nós temos que dar prioridade às mamãs de primeira vez, teríamos que dar prioridade àquelas mulheres que nunca frequentaram este curso.”, justifica a enfermeira especialista, Olga Santos.

Ter uma equipa multidisciplinar nestes cursos afirma-se como uma mais-valia na abrangência das áreas de formação destes casais mas, para a coordenação, é «um desafio constante porque tenho que gerir as disponibilidades dos outros formadores […], gerir isso com o facto de marcar as sessões com um certo intervalo de tempo, de forma a garantir duas vezes por semana.»

A constituição das equipas de trabalho é feita pela responsável de projeto. «Sou enfermeira especialista em saúde materna e obstétrica e temos uma equipa: uma psicóloga, temos uma nutricionista, temos uma fisioterapeuta, temos um higienista-oral e temos ainda uma outra colega que é especialista em saúde infantil e pediátrica, que também colabora.»

Esta crescente procura pelos cursos de preparação para o nascimento e parentalidade no concelho de Faro pode ser justificada pelo elevado número de nascimentos mas também pela qualidade das aprendizagens que se realizam: «Temos dois tipos de cursos: os cursos pré-parto e os cursos pós-parto. Os pré-parto são muito procurados, cada vez mais procurados. No final de cada curso fazemos uma avaliação e a opinião das pessoas é sempre muito positiva […]. Dizem sempre muito bem dos técnicos, em termos dos recursos humanos as pessoas dizem que os técnicos são disponíveis, são simpáticos, dizem sempre bem e dizem que isto é uma mais-valia. A opinião é sempre boa. E depois é um curso gratuito – completamente gratuito -, muito completo, consideram ser uma mais-valia o facto de ter uma equipa multidisciplinar porque têm sempre vários pontos de vista, de vários técnicos de saúde e, no geral, as pessoas gostam muito, o que significa que a procura cada vez tem vindo a ser maior.»

Os cursos de “Preparação para o Nascimento e Parentalidade” decorrem em toda a região do Algarve e, no caso do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Central, os cursos decorrem em todos os centros de saúde.

A UCC de Faro, que se insere no ACES Central – tal como as UCC dos concelhos de Albufeira, Loulé, São Brás de Alportel e Olhão – fez parte do projeto “Nascer e crescer com + Saúde” que concorreu à Missão Sorriso Continente tendo sido um dos projetos premiados. Para a enfermeira Olga Santos ter ganho “Foi uma mais-valia, sem dúvida. Só para lhe dizer, devido aos cortes que têm havido nos orçamentos para a saúde decorrentes destas restrições económicas dos últimos anos, não tem havido dinheiro (…) para comprar novos equipamentos, novos materiais. […]».

Com o valor do prémio foi possível adquirir «computadores portáteis só para fazer as nossas sessões teóricas, para apresentar filmes, diapositivos, o que quer que seja – que não tínhamos. […] Videoprojectores. Outra questão foi aqui a climatização desta sala: no verão esta sala tornava-se muito quente porque bate ali o sol a tarde toda e as grávidas são muito sensíveis ao calor e, no período de verão, as grávidas começavam a sentir-se mal com tonturas, sensação de desmaio porque a sala era demasiado quente, foi comprado um ar-condicionado, portanto isto melhorou a climatização da sala. As cadeiras eram velhas e eram muito desconfortáveis, foram compradas cadeiras novas. Foram comprados colchões, almofadas, bolas, e isso para a parte prática, para as aulas práticas. Alguns modelos anatómicos para nós explicarmos as coisas. Portanto, foi uma mais-valia sem dúvida.»

O projeto “Nascer e crescer com + saúde” tem ainda como um dos objetivos, integrar grávidas de outras nacionalidades nos grupos e/ou fornecer-lhes a informação adequada e de forma clara para as suas limitações comunicativas. A enfermeira reconhece, no entanto, que integrá-las nestes grupos “é um pouco complexo porque eu tenho que fazer as sessões – eu e os meus colegas – em português. […] Não é muito fácil incluir uma grávida que não perceba nada de Língua Portuguesa.” Nesse sentido, os panfletos criados em diferentes línguas (português, inglês, francês e russo) afirmam-se como uma forma de integrar essas mães e dar-lhes conhecimentos nas áreas: Alimentação Saudável na Grávida e Latente, Amamentação, Ida para a Maternidade e Cuidados no Pós-parto, estes folhetos também serão distribuídos pelas equipas de saúde no decorrer das consultas de Saúde Materna e Infantil.

Os cursos em si têm uma duração de cerca de sete semanas e são realizadas, em média, duas sessões por semana. Em relação aos horários há alguma flexibilidade pois, segundo a enfermeira responsável pelo projeto de “Preparação para o Nascimento e Parentalidade”, «Temos horários de manhã, temos horários a seguir ao almoço. Não temos muitos horários pós-laborais porque isso implicaria toda a equipa e todos os técnicos terem que estar a fazer horas em horário pós-laboral.»

As futuras mamãs ganham aprendizagens com estes cursos e, segundo a Enf. Olga Santos, «Sentem-se mais seguras. Elas descrevem que depois sentem-se mais seguras e mesmo que surjam dificuldades depois do bebé nascer, elas lembram-se que alguém já as alertou para isto, ou para aquilo, […]. Portanto elas já levam alguma informação que fica – mesmo que elas sozinhas não consigam resolver a situação – ficam alertadas de que devem procurar, perante aquela situação, um profissional de saúde capacitado para as poder ajudar naquele momento».

Recolhemos informação junto das futuras mães que frequentam estes cursos: para Joana Cruz, de Faro, o curso superou as suas expetativas e «tem sido uma mais-valia, especialmente para as mamãs de primeira viagem, é sempre um grande apoio e o podermos contactar também com outras mães, com outras grávidas, tirar dúvidas, conversar. É muito bom mesmo, muito reconfortante.” Para esta futura mãe as temáticas que lhe despertavam mais interesse eram “o aleitamento, a mala de maternidade – também tínhamos algumas dúvidas, exposições e respirações para o parto, os cuidados para o bebé, os primeiros cuidados.»

No caso de Carla Henrique, de Faro, não existiam muitas expetativas para o curso, esta futura mãe pretendia «aprender um bocadinho mais sobre tudo o que envolve o bebé desde a amamentação, como cuidar dele… Tenho estado a gostar.» Sobre as temáticas abordadas nestes cursos, considera que «até agora tem sido tudo interessante porque é tudo novo. Mas por exemplo a amamentação era uma coisa que me preocupava, o parto em si, falar dos pormenores do parto. Por exemplo, os dentinhos dele— saber como fazer – já fizemos – era uma parte que não tinha pensado e que foi interessante.»

Importa ainda referir que de 2015 para 2016 registou-se um aumento substancial do número de inscrições nos cursos de preparação pré-parto: em 2015 inscreveram-se 288 casais e foram admitidos 162, nessa altura eram formados grupos de cerca 12 a 15 casais e iniciava-se em média um grupo novo a cada mês; em 2016 inscreveram-se cerca de 400 casais e foram admitidos cerca de 362, os grupos continuam a ser constituídos por 12 a 15 casais mas tem-se tentado fazer mais grupos. Em relação aos cursos pós-parto, em 2015 registaram-se 120 inscrições e em 2016 houve 150 casais a inscreverem-se nas atividades com os seus bebés, sendo que estes cursos têm grupos menores (10 a 12 inscritos por grupo) pois são desenvolvidas aprendizagens que implicam a utilização de toda a sala.

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