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1ª Jornadas USF do Algarve

05 Dezembro 2017 | Fuente: ARS Algarve

Os desafios da reforma dos cuidados de saúde primários em debate nas 1ª Jornadas de USF do Algarve em Lagos

Como relançar os Cuidados de Saúde Primários, como impulsionar e acompanhar as Unidades de Saúde Familiar (USF), a importância da Qualidade e Acreditação das unidades de saúde, a experiência das USF no Algarve, a integração e articulação entre as várias áreas da prestação de cuidados e a nova metodologia de contratualização nos cuidados de saúde, foram alguns dos temas que estiveram em debate, nos dias 29 e 30 de novembro de 2017, nas 1ª Jornadas de USF do Algarve, organizadas pela Administração Regional de Saúde do Algarve, em parceria com o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Barlavento e com o apoio da Câmara Municipal de Lagos, e que reuniram mais de uma centena de participantes no Auditório do Edifício Paços do Concelho Séc. XXI em Lagos.

Sob o mote “(Re)Lançar as USF na Região”, a iniciativa contou com a presença do Secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, da Presidente da Câmara Municipal de Lagos, Joaquina Matos, do Presidente do Conselho Diretivo da ARS Algarve, Paulo Morgado, da Diretora Executiva do ACES Barlavento, Leonor Bota, do Coordenador Nacional para a reforma do SNS da área dos Cuidados de Saúde Primários, Henrique Botelho, do Coordenador Nacional para a reforma do SNS da área dos Cuidados Continuados Integrados, Manuel Lopes, do Presidente da Direção da Associação Nacional das USF, João Rodrigues, do Vogal do Conselho Diretivo da Administração Central dos Sistemas de Saúde (ACSS), Ricardo Mestre, assim como, de um alargado leque de profissionais de saúde do Algarve e do resto do País.

Na sua intervenção, na sessão de encerramento, o Secretário de Estado da Saúde, congratulou a comissão organizadora por esta iniciativa, e elogiando o papel fundamental de todos os profissionais de saúde, destacou a importância da aposta na criação das unidades de saúde familiar para reforçar a prestação de cuidados de saúde de proximidade à população e aumentar a confiança no Serviço Nacional de Saúde.

Lembrando que «os cuidados de saúde primários são, para este governo, a porta de entrada e base fundamental do nosso Serviço Nacional de Saúde, cuja primeira missão não é tratar doenças mas essencialmente promover o bem estar e a saúde das pessoas», Manuel Delgado, sublinhou, neste sentido, que «as USF representam um esforço acrescido do Estado para melhorarmos a resposta ao cidadão e que têm de ser modelos de intervenção com valor acrescentado na melhoria da qualidade, na capacidade resolutiva, de resposta e de maior proximidade dos utentes».

A proximidade, a rapidez e a eficiência no atendimento, a disponibilidade, a pontualidade, o estarmos focados no utente como figura central do sistema, são as palavras chave para o sucesso dos Cuidados de Saúde Primários e dos modelos das USF. Por isso, «temos que ser proativos e não reativos. Proatividade significa que quando o utente não nos aparece, nós vamos saber dele, vamos ao seu encontro. A pior atitude que se pode ter em Cuidados de Saúde Primários é a atitude passiva de estarmos sentados na nossa secretária dos centros de saúde à espera que os doentes nos batam à porta», frisou o governante, defendendo que os profissionais dos Cuidados de Saúde Primários deverão ter «a consciência de que não basta terem os registos muito bem feitos, é também importante que tratem dos doentes. O nosso objetivo é que cada vez menos as pessoas estejam doentes, por isso é que se deve apostar na promoção e prevenção da Saúde, mas quando os doentes efetivamente aparecem temos que cuidar deles».

Neste sentido, o Secretário de Estado da Saúde deixou a garantia de que o Ministério da Saúde está «a trabalhar para dar a cada português um médico de família. Quando chegámos ao governo havia um milhão e trezentos mil portugueses sem médico de família, neste momento há cerca de 700 mil e esperamos rapidamente diminuir este número porque vamos admitir mais médicos de família. A nossa expectativa é de que até ao fim desta legislatura vamos ter toda a população coberta com médico de família».

Por outro lado, Manuel Delgado reforçou a importância da partilha e a articulação entre os Cuidados de Saúde Primários e os Cuidados de Saúde Hospitalares: «é preciso olear muito bem a máquina da relação entre médicos de família e médicos hospitalares, estabelecer pontes de conversação permanente, de diálogo e de reconhecimento do que é que cada um precisa», isto para «melhorar a referenciação que tem de ser rigorosa e pertinente» e deste modo diminuir «as idas às urgências por situações que possam e devem ser resolvidas pelos cuidados de saúde primários».

«A capacidade que os Cuidados de Saúde Primários têm de chegar a casa das pessoas é fundamental. Muitas das vezes como apoio psicológico – apenas com pequenas questões como «então está melhor?; «Tem tomado a medicação?». Esta sensação que as pessoas têm de que são apoiadas de que não se esquecem delas, de que não as deixam para trás e que são capazes de as acompanhar é muito importante. Isso dá confiança às pessoas e estimula-nos, a todos nós, para termos hábitos de vida saudáveis, a fazer e a cumprir a medicação crónica que estejam a tomar», defendeu.

Manuel Delgado aproveitou ainda para sublinhar que a aposta estratégica do governo para 2018 passa por «reforçar a domiciliarização dos cuidados», melhorar «a integração de cuidados, envolver todos os profissionais de saúde, independentemente do nível em que trabalham, em projetos comuns e integrados, no sentido de aperfeiçoarmos modelos de intervenção que sejam cada vez mais próximos do domicilio das pessoas», «não só para evitar os internamentos desnecessários nos hospitais, mas também para «promover junto dos cidadãos cada vez mais cuidados de saúde personalizados».

Na sua intervenção inicial, o Presidente do Conselho Diretivo da ARS Algarve, felicitou o ACES Barlavento pela ideia de organizar estas 1ª jornadas de USF do Algarve e agradeceu o apoio da autarquia de Lagos na realização do evento, destacando a importância desta iniciativa como «uma espécie de pontapé de saída» para este novo ciclo da reforma dos Cuidados de Saúde Primários na região.

«As USF têm um potencial de mudança, são um modelo que nos interessa valorizar e promover e são uma das prioridades deste conselho diretivo». Neste sentido, «como tínhamos estado mais ou menos adormecidos nesta reforma nos últimos anos, achámos que era importante que a região voltasse a olhar para esta reforma de forma positiva e que as USF voltassem a crescer e a frutificar para podermos criar melhores serviços e de maior proximidade aos nossos cidadãos», defendeu Paulo Morgado acrescentando que «temos em carteira, neste momento, já um conjunto muito interessante de projetos para criação de novas USF na região».

Realçando a importância cada vez maior do reforço da articulação entre a Saúde e as autarquias, o Presidente da ARS Algarve, aproveitou o momento para lançar o desafio às Direções Executivas dos ACES e à AMAL «para darem andamento aos processos de nomeação dos presidentes dos Conselho da Comunidade, para que estes possam reunir e ter um papel cada vez mais ativo e participativo naquilo que é a realidade dos ACES e, desde logo, darem os seus contributos para que se possam cada vez prestar mais e melhores cuidados de saúde aos nossos utentes».

Neste âmbito, a Presidente da Câmara Municipal de Lagos, destacando a importância que as USF assumem para a melhoria da prestação de cuidados de saúde à população, sublinhou o apoio que a autarquia deu na criação da USF Descobrimentos e demonstrou total disponibilidade para continuar a colaborar com o ACES Barlavento e com a ARS Algarve no atual processo de criação da segunda USF no concelho de Lagos – USF Amendoeira.

Para o Presidente da Direção Nacional das USF, João Rodrigues, estas jornadas são o exemplo do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pela região de saúde do Algarve como forma de motivar e envolver os profissionais para iniciar um novo ciclo para relançar a reforma dos cuidados de saúde primários e impulsionar a criação de novas USF na região.

Por seu lado, o Coordenador Nacional para a reforma do SNS da área dos Cuidados de Saúde Primários, Henrique Botelho, no decorrer da conferência inaugural sobre o relançamento dos Cuidados de Saúde Primários, sublinhou o papel fundamental destes «cuidados de primeira linha próximos das pessoas» e que «um país é tanto mais avançado quanto melhores cuidados de proximidade tiver», defendendo que «a reforma dos Cuidados de Saúde Primários é, em primeiro lugar, a criação de contextos organizacionais favoráveis à mudança de comportamentos» e que terá de existir o envolvimento positivo dos profissionais e um comprometimento efetivo das instituições.

De referir que ao longo do primeiro dia das jornadas foi dado destaque à partilha de experiências entre os profissionais de saúde das diversas categorias que integram as equipas das 14 USF atualmente em atividade na região. O dia terminou com um painel dedicado à qualidade e à acreditação das USF com a participação do Vice-Presidente da ARS de Lisboa e Vale do Tejo, Luis Pisco, de Laura Marques do Departamento de Qualidade da DGS, e de José Luis Biscaia da Coordenação Nacional para a reforma do SNS na área dos Cuidados de Saúde Primários.

A importância da integração dos vários níveis de cuidados de saúde – cuidados de saúde primários; cuidados de saúde hospitalares; cuidados continuados integrados e saúde pública – esteve em debate no primeiro painel do segundo dia, com a participação da Vogal do Conselho Clinico do ACES Barlavento, Ana Cristina Costa, do Coordenador Nacional para a Reforma do SNS na área dos Cuidados Continuados Integrados, Manuel Lopes, do Diretor Clínico do Centro Hospitalar Universitário do Algarve, Mohamede Americano, e Maria Clara Garcia da Unidade de Saúde Pública do ACES Barlavento.

Os desafios que se colocam com a nova metodologia de contratualização nos cuidados de saúde para 2018 foi o tema do último painel com a presença da Vogal do Conselho Diretivo da ARS Algarve, Josélia Gonçalves, do Vogal do Conselho Diretivo da ACSS, Ricardo Mestre, do Diretor do Departamento de Contratualização da ARS Algarve, Jorge Lami Leal e Vanessa Guerreiro médica da USF Ria Formosa.

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