Todo o Algarve
extremadura es agua rectangular2

Algarve é região do país com a mais baixa prevalência da obesidade infantil, segundo resultados do COSI Portugal 2016

05 Janeiro 2018 | Fuente: ARS Algarve

O Algarve é a região do país que apresenta a percentagem mais baixa de obesidade infantil (8.6%) e a menor prevalência de excesso de peso (pré-obesidade + obesidade) em crianças dos 6 aos 8 anos (21.1%), sendo a região a nível nacional que, desde 2008, tem mantido a tendência de contenção na evolução da obesidade infantil, de acordo com os dados mais recentes do estudo do Sistema Europeu de Vigilância Nutricional Infantil da Organização Mundial da Saúde (European Childhood Obesity Surveillance Initiative), COSI Portugal.

Estes dados comparativos sobre a obesidade infantil em Portugal foram apresentados no passado dia 20 de dezembro de 2017 no Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) em Lisboa. De destacar a participação nesta sessão da Coordenadora do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável – Núcleo Algarve, e Coordenadora do COSI – Algarve, Teresa Sofia Sancho, onde apresentou uma comunicação sobre o Programa de Combate à Obesidade Infantil na Região do Algarve, sublinhando a importância desta estratégia com abrangência regional de promoção de estilos de vida saudável aliada a uma alimentação equilibrada e exercício físico regular, com excelentes resultados em intervenção comunitária na obesidade infantil, a qual motivou grande interesse e diversos elogios por parte de todos os participantes.

O COSI Portugal é um sistema de vigilância nutricional infantil, integrado no estudo Childhood Obesity Surveillance Initiative da Organização Mundial da Saúde para a Europa (COSI/OMS Europa), e tem como principal objetivo criar uma rede sistemática de recolha, análise, interpretação e divulgação de informação descritiva sobre as características do estado nutricional infantil de crianças em idade escolar do 1º Ciclo do Ensino Básico, dos 6 aos 8 anos. Trata-se de um sistema de vigilância que produz dados comparáveis entre países da Europa e que permite a monitorização da obesidade infantil a cada 2-3 anos.

A 1ª ronda de recolha de dados decorreu no ano letivo de 2007/2008, participaram 13 países, na 2ª ronda (2009/2010), 17 e na 3ª ronda (2012/2013) 19 países da Europa. A 4ª ronda (2015/2016) do COSI/OMS Europa, contou com 35 países da Região Europeia da OMS, dos 40 já inscritos no estudo.

O COSI Portugal é coordenado cientificamente e conduzido pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) em articulação com a Direção-Geral da Saúde (DGS) e implementado a nível regional pelas Administrações Regionais de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo, Algarve, Centro e Norte e ainda com a Direção Regional de Saúde (DRS) dos Açores e da Madeira (IASaúde, IP-RAM), concretamente pelo Instituto de Administração da Saúde e Assuntos Sociais. O Centro de Estudos e Investigação em Dinâmicas Sociais e Saúde (CEIDSS), presta apoio técnico e científico ao estudo COSI Portugal.

O estudo em questão baseia-se no modelo da epidemiologia descritiva, com amostras transversais repetidas de avaliação do estado nutricional de crianças do 1º Ciclo do Ensino Básico em Portugal.

As primeiras 3 rondas do COSI (2008, 2010 e 2013) constituíram a Rede de Escolas Sentinela, isto é, as mesmas escolas participantes em todas as rondas. No ano de 2016, o desenho amostral da 4ª ronda COSI Portugal foi efetuado pelo Instituto Superiore di Sanitá de Itália, instituição que dá apoio científico, ao nível do processamento e análise estatística dos dados de todos os países participantes no COSI/OMS Europa.

Na 4ª ronda COSI Portugal, a metodologia aplicada seguiu o protocolo comum (COSI/OMS Europa) a todos os países participantes. As crianças foram avaliadas através de parâmetros antropométricos (peso e estatura) por 191 examinadores que receberam a mesma formação de uniformização e qualidade de procedimentos.

A participação neste estudo foi de 80.2% das crianças inicialmente inscritas, 98.3% de escolas e 93.1% de famílias.

Nos últimos anos, Portugal tem vindo a mostrar uma tendência invertida nas prevalências de excesso de peso e de obesidade infantil. De acordo com os mais recentes dados do COSI Portugal, sistema de vigilância nutricional infantil integrado no estudo Childhood Obesity Surveillance Initiative da Organização Mundial da Saúde/Europa, entre 2008 e 2016, verificou-se uma redução de 7.2% (37.9% para 30.7%) e 3.6% (15.3% para 11.7%) nas respetivas prevalências.

Outro dos principais resultados do COSI Portugal 2016 mostra que no período entre 2008 (1ª ronda) e 2016 (4ª ronda), todas as regiões portuguesas mostraram um decréscimo na prevalência de excesso de peso (incluindo obesidade).

À semelhança das rondas anteriores, foram também utilizados instrumentos de avaliação compreendendo variáveis relativas à família e ao ambiente escolar. Por exemplo, em relação à atividade física e comportamentos sedentários verificaram-se melhores indicadores de prática de atividade física, entre os dois períodos já que foram poucas as crianças (2016: 1.7%) que reportaram nunca praticar atividade física, comparativamente com as de 2008 (19.7%) e a prática de 3 ou mais horas ao fim de semana foi igualmente maior em 2016 (66.3%) do que em 2008 (50.8%).

Na 4ª ronda COSI Portugal, foram propostas 8412 crianças de Ensino Básico (EB) das regiões de Portugal, tendo sido avaliadas 6745 crianças (50.4% do sexo feminino), entre os 6 e os 8 anos de idade, de 230 escolas do 1º ciclo do EB.

No Algarve foram aleatoriamente selecionadas e avaliadas 518 crianças, de uma área predominantemente urbana, embora provenientes de escolas rurais e urbanas, de tamanho pequeno, médio e grande, desde o Barlavento ao Sotavento. A avaliação antropométrica foi realizada mediante o consentimento informado dos encarregados de educação, com medição do peso e da estatura. A partir dos dados de peso e estatura foi calculado o Índice de Massa Corporal (IMC). Para a classificação do estado nutricional foram utilizados três critérios de diagnóstico: o critério da Internacional Obesity Task Force (IOFT), o critério do Center for Disease Control and Prevention (CDC) e o critério da OMS, embora os dados sejam apresentados no relatório segundo este último.

Assim sendo, de acordo com o critério da OMS, no gráfico seguinte apresentam-se os valores da prevalência de obesidade, pré-obesidade e excesso de peso (pré-obesidade + obesidade) por região. Desta forma, realçam-se as diferenças significativas observadas nas diversas prevalências na região do Algarve.

Considerando que o valor de prevalência de excesso de peso (obesidade e pré-obesidade) infantil, observado no estudo realizado no Algarve em 2006 (30.2%, entre os 7 e os 9 anos), levado a cabo pela Universidade do Algarve e Administração Regional de Saúde do Algarve, IP, o qual teve como referência o Critério da Internacional Obesity Task Force (IOFT), constata-se que os resultados obtidos no Algarve, em 2016 do estudo COSI, apresentam uma redução significativa na prevalência de excesso de peso infantil na região. Todavia, sublinham-se as diferenças metodológicas, as quais não permitem realizar uma comparação linear entre dados, quer pelos critérios utilizados, IOTF versus OMS, quer pelos escalões etários, 7 a 9 anos versus 6 a 8 anos. De qualquer forma, e ao analisar os dados de tendência a nível nacional, a região do Algarve apresenta claramente uma inversão do problema de excesso de peso infantil, muito provavelmente graças ao Programa de Combate à Obesidade Infantil na Região do Algarve, desenvolvido desde 2007, num âmbito pluridisciplinar e intersectorial (protocolo).

No relatório COSI Portugal 2016 são ainda disponibilizados dados importantes acerca das características do estilo de vida das crianças estudadas, nomeadamente no que diz respeito aos hábitos alimentares e de atividade física. Em relação à região do Algarve, destacam-se os seguintes aspectos com relação na redução de risco para a obesidade infantil:

Das 6187 mães que responderam sobre a questão do aleitamento materno e sua duração, verificou-se que 85.8% das crianças tinham sido amamentadas, sendo a região do Algarve a que reportou maior número de crianças amamentadas (89.1%). Relativamente à duração do aleitamento materno das crianças avaliadas no COSI Portugal 2016, 40.7% foram amamentadas mais de 6 meses, cumprindo assim as recomendações da Organização Mundial da Saúde, sendo que se constatou que o Algarve, foi a região do país onde se registou uma maior percentagem de crianças que foram amamentadas num período superior a 6 meses (47.4%).
Cerca de metade (52.5%) da população infantil COSI, estava inscrita num clube desportivo, de dança ou ginásio, com frequência semanal. Verificou-se que a região do Algarve foi a que mostrou o maior número de crianças inscritas num clube desportivo (61.5%).
A região do Algarve foi a que apresentou a maior percentagem (10.2%) de crianças que frequentavam clubes desportivos de sete a nove horas por semana.
A região do Algarve, juntamente com a dos Açores, foi a que obteve uma maior percentagem (39.4%) de crianças a brincar cerca de 2 horas por dia fora de casa, durante a semana.
Quanto ao número de horas de sono das crianças participantes a nível nacional, observou-se que a grande maioria das crianças (71.5%) dormia mais de 9h por dia, sendo que a região do Algarve, apresentou a segunda mais elevada frequência neste parâmetro (76.7%).
No que respeita a oferta de Educação Alimentar ou Projectos de Educação Alimentar das escolas COSI Portugal 2016, a maioria (83.3%) incluía esta oferta, sendo a região do Algarve aquela que mais abordou estas questões (87.5%) no currículo escolar.
Considerando que os resultados alcançados traduzem o trabalho de uma abordagem holística do problema da obesidade infantil no Algarve, com a implementação de políticas de saúde transversais, ao nível das instituições regionais e locais, baseadas numa metodologia de intervenção comunitária, intersectorial e pluridisciplinar, centralizada na família enquanto célula do tecido social, a Administração Regional de Saúde do Algarve IP sublinha, todavia, a importância de continuar a promover os estilos de vida saudável para manter ou reduzir a prevalência de obesidade infantil na região.

Opinião dos nossos leitores

Dê-nos a sua opinião

Incorrecto
NOTA: As opiniões sobre as notícias não serão publicadas imediatamente, ficarão pendentes de validação por parte de um administrador.

NORMAS DE USO

1. Deverá manter uma linguagem respeitadora, evitando conteúdo malicioso, abusivo e obsceno.

2. www.todooalgarve.com reserva-se ao direito de eliminar e editar os comentários.

3. As opiniões publicadas neste espaço correspondem à opinião dos leitores e não ao www.todooalgarve.com

4. Ao enviar uma mensagem o utilizador aceita as normas de utilização.